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José Boiteux - Santa Catarina



José Boiteux é um município do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Encontra-se a uma latitude 26º57′30" sul e a uma longitude 49º37′41" oeste, estando a uma altitude de 240 metros. A população avaliada em 2011 era de 4,731 habitantes.

Tradicionalmente habitada por índios xoclengue, caingangue e guarani, a região começou a ser colonizada por descendentes de europeus em 1920, com descendentes de alemães trazidos de Rio do Sul. A região foi palco de vários conflitos por terras entre os colonos alemães e os indígenas, que acabaram sendo mandados para reservas indígenas afastadas.

Em 31 de março de 1897 foi organizadas em Hamburgo, na Alemanha, a Sociedade Colonizadora Hanseática, com as transferências das antigas concessões dadas pelo governo da Província de Santa Catarina à Sociedade Colonizadora Hamburguesa, fundada em 5 de maio de 1849, que tinha como finalidade primordial colonizar as terras devolutas dos vales do rio Itajaí do Norte – ou Hercílio – e Itapocu (FRAGA, 2000). O diretor da Sociedade Colonizadora Hanseática, A.W. Sellin e o engenheiro Emílio Odebrecht, acompanhados de seis caboclos e por um cozinheiro alemão, chegaram, a 8 de novembro de 1897, à barra do ribeirão Taquaras, onde atualmente se encontra o centro urbano do município de Ibirama, naquela época denominado Itajahy-Hercílio (esse nome causou grande confusão porque não se restringia a essa nova colônia, mas a todas as outras, conhecidas apenas como Hansa, devido ao fato de estarem muito afastadas umas das outras; mais tarde, para desfazer-se a confusão, optou-se pela denominação Hammônia, à colônia Itajay-Hercílio, a fim de não causar tantos embaraços); (ENTRES, s/d) e (FRAGA, 2000). A expedição seguiu o curso do rio Itajaí do Norte, até alcançar a Serra Dobrada; dali para frente era impossível seguir de canoa. O chefe da expedição observou em suas anotações que a extensão percorrida já lhe permitiria executar o plano de colonização de 20 anos, conforme o acordo de 1895 firmados com o governo do Estado. Ao retornar a Taquaras, o diretor A.W. Sellin mandou derrubar matas e abrir descampados, enquanto o engenheiro Emílio Odebrecht demarcou uma área de 126.332,70 hectares, além de outra área às margens do ribeirão do Cocho, perfazendo, ambas, uma área total de 127.318.047 hectares. (FRAGA & SANTOS, 1997) Construiu-se, também, uma estrada de acesso à sede da colônia, Via Ribeirão Cocho-Taquaras, e edificou-se um grande galpão para receber e hospedar os colonos que para ali se encaminhassem. Willy Luderwald e esposa foram os primeiros colonos recebidos na Sociedade em junho de 1899; no final desse mesmo ano, chegou à primeira leva de colonos (MATOS, 1917) e (FRAGA, 2000). Conforme o Decreto-Lei nº 4.166, de 11 de março de 1942, a Sociedade Colonizadora passou a ser administrada pelo governo federal, devido ao rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha. Esse episódio deu início às hostilidades na colônia e, também, nas demais colônias alemãs brasileiras (FRAGA, 2000). O município de Ibirama, incluindo o distrito de José Boiteux, no ano de 1946 contava com uma população de cerca de 30.000 habitantes (FRAGA, 2000). Nos anos de 1940 e 50, José Boiteux possuia um número bastante elevado de indústrias, isso no ano que conseguiu sua primeira emancipação e, quando do início dos projetos de contenção de enchentes no vale do Itajaí, para efeitos de análise, devem-se considerar que tais indústrias, como pequenas, melhor ainda, como pequena produção mercantil – a maioria delas não evoluiu e foram extintas no período compreendido entre 1960 e 1990, fatos que culmina com a construção da Barragem Norte, que desmantelou a economia local (FRAGA, 1997), sobretudo na área da Barra do Rio Dollmann e da reserva Indígena Duque de Caxias. Hoje, os índios são 12,3% da população do município. Os descendentes de europeus são 77,0%. Entre os anos de 1976 e 1992 a população Xokleng sofreu forte impacto no seu cotidiano, afetados pelas obras de engenharia, pela destruição da Floresta Atlântica, pelas doenças, pela violência física e psicológica etc., pois suas terras foram tomadas pelo canteiro de obras e pelas enchentes ocasionadas durantes as referidas obras (FRAGA, 1998). Assim como eles, a população da vila da Barra do Rio Dollmann foi desestruturada no seu cotidiano, mas estes migraram para outras cidades do Vale do Itajaí, enquanto os Xokleng foram obrigados a se manter lá até os dias atuais (FRAGA, 2000). Desde 1997 os Xokleng ocupam a casa de máquinas da Barragem Norte, exigindo as suas devidas indenizações federais, quando tiveram suas terras alagadas e devastadas pelo processo de construção da referida barragem (FRAGA, 2000). As obras de construção das barragens de defesa contra enchentes no Vale do Itajaí, não geraram apenas efeitos nas populações indígenas e sociedade envolvente, eles representaram vultosos investimentos financeiros, fruto das exigências da burguesia e elite local que busca se livrar das referidas inundações (FRAGA, 1998). O forte apelo e apoio à conclusão das obras de contenção do Vale do Itajaí por parte da sociedade catarinense e, principalmente, da região, não consideravam o montante de recursos investidos pelo poder público para a execução das mesmas. Os valores estimados em investimentos na bacia, entre as décadas de 70, 80 e início dos anos 90, alcançaram quase US$ 160.000.000,00, com atualização procedida em 1992. A Barragem de Taió custou US$ 10.000.000,00, a de Ituporanga US$ 31.000.000,00, a de José Boiteux US$ 90.000.000,00 e o trecho de desassoreamento do rio Itajaí-Açu, entre Blumenau e Gaspar, US$ 27.900.000,00 (FRAGA, 1996). Também foi investido US$ 800.000,00, na construção de reservatórios em Blumenau. (LINS & LISBOA, 1994). Desde a inauguração da Barragem Norte (1992), em José Boiteux, poucas obras foram executadas na bacia hidrográfica, com exceção de um reservatório que está sendo construído em Blumenau. Inclusive a manutenção das três barragens do Alto Vale do Itajaí aparecem freqüentemente na mídia – abandonadas e colocando em risco as populações a jusante. A mesma mídia, que questiona o abandono das três Barragens, indiretamente culpa os Xokleng pela inoperância da Barragem Norte. O futuro dos Xokleng dependerá de ações governamentais que lhes garanta a subsistência sobre suas terras que sofreram o impacto das obras estruturais implantadas na Bacia Hidrográfica do Itajaí (FRAGA, 1996).

História da cidade de José Boiteux Santa Catarina - SC

Na década de 1920, as companhias colonizadoras de Rio do Sul levaram imigrantes alemães para as áreas vizinhas, e a região de José Boiteux foi uma das escolhidas. As terras pertenciam aos índios xokleng, kaingang e guarani, que aos poucos foram mandados para reservas. Em 1975, os índios perderam 856 hectares de suas terras para a construção da Barragem Norte, a maior do complexo de contenção de cheias da região. Como a área desapropriada era a mais fértil do território, os indígenas, lutando pela sobrevivência, passaram a derrubar a Mata Atlântica que existia em suas terras, estimulados por madeireiros inescrupulosos. José Boiteux desmembrou-se de Ibirama em 26 de abril de 1989

Distrito criado com a denominação de José Boiteux, pelo decreto estadual nº 498, de 17-02-1934, subordinado ao município de Dalbérgia.

Pele decreto estadual nº 1, de 07-05-1935, o município Dalbérgia passou a denominar-se Hamônia.

Em divisão territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o distrito de José Boiteux figura no município de Hamônia.

Pelo decreto-lei estadual nº 941, de 31-12-1943, o município de Hamônia passou a denominar-se Ibirama.

Em divisão territrtorial datada de 1-VII-1960, o distrito de José Boiteux figura no município de Ibirama ex-Hamônia.

Assim peramanecendo em divisão territorial datada de 18-VIII-1988.

Elevado à categoria de município com a denominação de José Boiteux, pela lei estadual nº 7580, de 26-04-1989, desmembrado de Ibirama. Sede no antigo distrito de José Boiteux. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1990.

Em divisão territorial datada de 1-VI-1995, o município é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2003.

Transferência distrital

Pelo decreto estadual nº 1, de 07-05-1935, transfere o distrito de José Boiteux do município

de Dalbérgia para o de Harmônia.

Pelo decreto estadual nº 941, de 31-12-1943, transfere o distrito de José Boiteux do

município de Hamônia para o de Ibirama.

Gentílico: José-boatense

Comarca:Ibirama

Fonte: BIBLIOTECA IBGE - PREFEITURA MUNICIPAL

Código do Município

4209151

Gentílico

josé-boatense

Prefeito

JONAS PUDEWELL

População
População estimada [2018]4.985 pessoas  
População no último censo [2010]4.721 pessoas  
Densidade demográfica [2010]11,65 hab/km²  
Trabalho e Rendimento
Salário médio mensal dos trabalhadores formais [2016]1,8 salários mínimos  
Pessoal ocupado [2016]1.196 pessoas  
População ocupada [2016]24,5 %  
Percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo [2010]28,3 %  
Educação
Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade [2010]98,3 %  
IDEB – Anos iniciais do ensino fundamental [2015]5,9  
IDEB – Anos finais do ensino fundamental [2015]5,5  
Matrículas no ensino fundamental [2017]949 matrículas  
Matrículas no ensino médio [2017]209 matrículas  
Docentes no ensino fundamental [2015]81 docentes  
Docentes no ensino médio [2017]41 docentes  
Número de estabelecimentos de ensino fundamental [2017]8 escolas  
Número de estabelecimentos de ensino médio [2017]3 escolas  
Economia
PIB per capita [2016]20.165,92 R$  
Percentual das receitas oriundas de fontes externas [2015]86,2 %  
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) [2010]0,694  
Total de receitas realizadas [2017]18.566,00 R$ (×1000)  
Total de despesas empenhadas [2017]16.617,00 R$ (×1000)  
Saúde
Mortalidade Infantil [2014]10,2 óbitos por mil nascidos vivos  
Internações por diarreia [2016]0,6 internações por mil habitantes  
Estabelecimentos de Saúde SUS [2009]11 estabelecimentos  
Território e Ambiente
Área da unidade territorial [2017]405,229 km²  
Esgotamento sanitário adequado [2010]79,6 %  
Arborização de vias públicas [2010]74,7 %  
Urbanização de vias públicas [2010]26,7 %  
Notas & Fontes

Notas:

  1. População ocupada: [pessoal ocupado no município/população total do município] x 100

  2. Percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo: [População residente em domicílios particulares permanentes com rendimento mensal de até 1/2 salário mínimo / População total residente em domicílios particulares permanentes] * 100

  3. Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade: [população residente no município de 6 a 14 anos de idade matriculada no ensino regular/total de população residente no município de 6 a 14 anos de idade] x 100

  4. Docentes no ensino médio: Os docentes referem-se aos indivíduos que estavam em efetiva regência de classe na data de referência do Censo Escolar., No total do Brasil, os docentes são contados uma única vez, independente se atuam em mais de uma região geográfica, unidade da federação, município ou localização/dependência administrativa., No total da Região Geográfica, os docentes são contados uma única vez em cada região, portanto o total não representa a soma das regiões, das unidades da federação, dos municípios ou das localizações/dependências administrativas, pois o mesmo docente pode atuar em mais de uma unidade de agregação., No total da Unidade da Federação, os docentes são contados uma única vez em cada Unidade da Federação (UF), portanto o total não representa a soma das 27 UFs, dos municípios ou das localizações/dependências administrativas, pois o mesmo docente pode atuar em mais de uma unidade de agregação., No total do Município, os docentes são contados uma única vez em cada Município, portanto o total não representa a soma dos 5.570 municípios ou das localizações/dependências administrativas, pois o mesmo docente pode atuar em mais de uma unidade de agregação., Não inclui os docentes de turmas de Atividade Complementar e de Atendimento Educacional Especializado (AEE)., Os docentes são contados somente uma vez em cada localização/dependência administrativa, independente de atuarem em mais de uma delas., Inclui os docentes que atuam no Ensino Médio Propedêutico, Curso Técnico Integrado (Ensino Médio Integrado) e Ensino Médio Normal/Magistério de Ensino Regular e/ou Especial.

  5. Internações por diarreia: [número de internações por diarreia/população residente] x 1000

  6. Esgotamento sanitário adequado: [população total residente nos domicílios particulares permanentes com esgotamento sanitário do tipo rede geral e fossa séptica / População total residente nos domicílios particulares permanentes] x 100

  7. Arborização de vias públicas: [domicílios urbanos em face de quadra com arborização/domicílios urbanos totais] x100

  8. Urbanização de vias públicas: [domicílios urbanos em face de quadra com boca de lobo e pavimentação e meio-fio e calçada/domicílios urbanos totais] x 100


Fontes:

  1. População estimada: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Estimativas da população residente com data de referência 1o de julho de 2018

  2. População no último censo: IBGE, Censo Demográfico 2010

  3. Densidade demográfica: IBGE, Censo Demográfico 2010, Área territorial brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2011

  4. Salário médio mensal dos trabalhadores formais: IBGE, Cadastro Central de Empresas 2016. Rio de Janeiro: IBGE, 2018

  5. Pessoal ocupado: IBGE, Cadastro Central de Empresas 2016. Rio de Janeiro: IBGE, 2018

  6. População ocupada: IBGE, Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) 2016 (data de referência: 31/12/2016), IBGE, Estimativa da população 2016 (data de referência: 1/7/2016)

  7. Percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo: IBGE, Censo Demográfico 2010

  8. Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade: IBGE, Censo Demográfico 2010

  9. IDEB – Anos iniciais do ensino fundamental: MEC/INEP - Censo Escolar 2016

  10. IDEB – Anos finais do ensino fundamental: MEC/INEP - Censo Escolar 2016

  11. Matrículas no ensino fundamental: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2017

  12. Matrículas no ensino médio: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2017

  13. Docentes no ensino médio: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2017

  14. Número de estabelecimentos de ensino fundamental: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2017

  15. Número de estabelecimentos de ensino médio: Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP - Censo Educacional 2017

  16. PIB per capita: IBGE, em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais de Governo e Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA

  17. Percentual das receitas oriundas de fontes externas: Secretaria do Tesouro Nacional (STN) - Balanço do Setor Público Nacional (BSPN) 2015

  18. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD

  19. Total de receitas realizadas: Contas anuais. Receitas orçamentárias realizadas (Anexo I-C) 2017 e Despesas orçamentárias empenhadas (Anexo I-D) 2017. In: Brasil. Secretaria do Tesouro Nacional, Siconfi: Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro. Brasília, DF, [2018]. Disponível em: https://siconfi.tesouro.gov.br/siconfi/pages/public/consulta_finbra/finbra_list.jsf. Acesso em: set. 2018

  20. Total de despesas empenhadas: Contas anuais. Receitas orçamentárias realizadas (Anexo I-C) 2017 e Despesas orçamentárias empenhadas (Anexo I-D) 2017. In: Brasil. Secretaria do Tesouro Nacional, Siconfi: Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro. Brasília, DF, [2018]. Disponível em: https://siconfi.tesouro.gov.br/siconfi/pages/public/consulta_finbra/finbra_list.jsf. Acesso em: set. 2018

  21. Mortalidade Infantil: Ministério da Saúde, Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde - DATASUS 2014

  22. Internações por diarreia: Ministério da Saúde, DATASUS - Departamento de Informática do SUS, IBGE, Estimativas de população residente

  23. Estabelecimentos de Saúde SUS: IBGE, Assistência Médica Sanitária 2009

  24. Área da unidade territorial: Área territorial brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2018

  25. Esgotamento sanitário adequado: Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

  26. Arborização de vias públicas: IBGE, Censo Demográfico 2010

  27. Urbanização de vias públicas: IBGE, Censo Demográfico 2010

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