Retrô conta com projeto ousado para subir de patamar. Fotos: Divulgação/Retrô

São menos de 10 anos desde a fundação e três finais disputadas. Atual campeão da Série D, o Retrô agora busca vencer o Campeonato Pernambucano pela primeira vez. Neste sábado (22), a caminhada final para isso começa contra o Sport, na Arena Pernambuco. 

Mais do que conquistar um título estadual pela primeira vez, a equipe localizada na cidade pernambucana de Camaragibe tem a missão de desafiar a hegemonia do trio de ferro em Recife. Nos últimos 79 anos, somente um time diferente de Náutico, Santa Cruz e Sport conquistou o Pernambucano. Foi o Salgueiro, há cinco anos

No entanto, o Retrô pode fazer justamente o caminho inverso do campeão estadual de 2020. Após a conquista, o Salgueiro declinou financeiramente a ponto de abrir mão da vaga na elite do Pernambucano na temporada passada. Com isso, o Carcará retornará neste ano, mas na Série A3 do campeonato estadual. 

A situação do Retrô é completamente diferente. Desde o nascimento, o clube é administrado pelo empresário Laércio Guerra. Executivo de futebol do Retrô, Francisco Sales garante que o time de Camaragibe busca sempre a evolução. Para o dirigente, a contratação dele em agosto do ano passado é um desses sinais. 

– Falo para algumas pessoas que ninguém fica milionário sendo otário. Ele (Laércio) entendeu que o Retrô cresceu e precisava de mais braços para a engrenagem andar melhor. Ele teve essa leitura e entendeu que o meu nome seria o ideal para o momento da Série D. Agora, a gente tem consolidado ainda mais os resultados, para mostrar que ele fez uma boa escolha em trazer a figura do executivo – disse Sales com exclusividade à Trivela

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— Retrô FC Brasil (@Retrofcbrasil) March 16, 2025

SAF sem ser e raiz com estilo moderno são características do Retrô

Fundado em 2016 para ser um projeto social, o Retrô se profissionalizou no futebol três anos depois. Ainda assim, o clube nunca deixou a essência. Até hoje, o grande objetivo é ser o maior mecanismo de atendimento para crianças e adolescentes no Brasil, usando o futebol como ferramenta oficial. 

Para isso, entende-se que a administração seja profissional e moderna a começar com a estrutura do clube. Localizado em Aldeia dos Camarás, a sede do Retrô possui área de treino, quadra poliesportiva, salas de apoio para atendimento médico e nutricional, áreas administrativas, hotel, salas de aula e laboratórios para a área de saúde.

Nos três primeiros anos de história, o investimento em estrutura do Retrô alcançou a marca de R$ 35 milhões. Tanto que o presidente Laércio Guerra transferiu a residência dele para a sede do clube.

Com 15 hectares, CT do Retrô custou R$ 35 milhões para ser construído e fica em área nobre de Pernambuco (Foto: Divulgação/Retrô)

– O presidente é muito atuante, muito ativo. O CT é dentro da casa dele. Ele está sempre aqui. Estamos sempre vendo a figura do presidente, o que é fundamental – revelou Francisco Sales. 

Ainda que a administração seja moderna e profissional, Sales não enxerga o Retrô como SAF – embora o clube tenha sido o primeiro do Nordeste a aderir o modelo, em 2022. 

– O Retrô não é uma SAF na letra, mas é um clube com um dono e um modelo constituído. Mas a forma de gerir é profissional, algo que é o “xis” da questão nas SAFs. O Retrô já nasceu profissionalizado – disse o executivo.

No entanto, ainda que o clube busque a modernidade administrativa, o vanguardismo se encerra aí. A começar pelo nome, que é homenagem ao Carrossel Holandês, que encantou o mundo em 1974, em que pese tenha sido vice-campeão mundial. O modelo da Laranja Mecânica inspira a essência do Retrô até os dias atuais. 

– Na parte de SAF, administração, é o clube como um todo. Suporte dado aos atletas, parte administrativa. Mostra que, de fato, profissionalizou toda a esfera do clube. Não tem mais arranjos e improvisos. O futebol é raiz dentro de campo. O nome Retrô, o retrô da camisa. No ano passado, os números eram bordados. O futebol antigo encantou o mundo e o presidente é muito saudosista em relação ao “Futebol Total”, o futebol para frente – destacou o executivo Francisco Sales. 

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O futebol é para frente, mas do outro lado se tem um gigante

Adversário do Retrô final do Pernambucano é o Sport, maior vencedor da competição com 42 títulos, incluindo os dois últimos – um deles, em 2023, sobre a própria Fênix. Nesses casos, Francisco Sales entende que nem sempre dá para o clube de Camaragibe aplicar o estilo de jogo que faz parte da essência. 

– A gente tem uma ideia de que essência é essa: o futebol para frente. Mas a depender de situações de jogo, podemos não conseguir, porque se tem um adversário. O Sport é qualificado e a gente tem que se adaptar ao jogo e buscar. A essência é sempre jogar para a frente, mas às vezes não depende só da gente. O adversário pode inibir a situação, pode ser o estádio lotado, a torcida em campo, o time em cima sem deixar você sair. Às vezes é a estratégia do treinador. Mas a essência permanece  – disse o dirigente. 

Um dos maiores orgulhos do Retrô foi ter complicado a vida do Corinthians na segunda fase da Copa do Brasil em 2021. Na ocasião, o Timão abriu o placar em Saquarema, em gol de falta marcado pelo venezuelano Rómulo Otero. Porém, perto dos minutos finais, a Fênix chegou ao empate com Mayco Félix. Porém, na decisão por pênaltis, foi o time paulista quem avançou. 

Em 2021, o Retrô segurou o Corinthians no tempo normal pela segunda fase da Copa do Brasil, mas foi eliminado nos pênaltis (Foto: IMAGO / Fotoarena)

Para o Retrô se tornar um dos grandes de Pernambuco, a pressão precisa começar em casa

Sem a mesma força e torcida dos times mais tradicionais, o Fênix precisa dobrar a cobrança interna para manter os jogadores ligados. Antes de trabalhar no Retrô, Francisco Sales passou pelo Santa Cruz, umas das três equipes mais importantes de Pernambuco. Porém, Sales passou por diversas dificuldades administrativas no Arruda. 

E ao conhecer os dois lados da moeda, o dirigente acredita que a pressão externa dos times de trajetória mais extensa precisa ser compensada dentro das instituições em equipes mais novas. 

– Clubes completamente diferentes. São opostos. Santa Cruz tem apelo, emoção do torcedor, mas administrativamente não está bem. Estão querendo até mesmo aprovar o projeto de SAF. Porém, tive a felicidade de pegar um presidente que cumpriu tudo o que foi estipulado. No Retrô, essas dificuldades não existem. O salário é pago rigorosamente em dia, tem estrutura, todo suporte em questão de viagem. No Santa Cruz, no momento ruim, a cobrança vai existir de qualquer forma, principalmente externa, do jogador não poder ir a um restaurante. Isso não acontece no Retrô. E o papel de cobrar vira do presidente. Se não tem cobrança no Retrô fica muito fácil e não tem a essência de busca por resultados. 

A ideia é que o Retrô pegue a esteira do período com bons resultados esportivos para angariar ainda mais torcida. 

Após passagem pelo Santa Cruz, Francisco Sales chegou ao Retrô em agosto do ano passado e poucos meses depois foi campeão brasileiro da Série D (Foto: Reprodução/Instagram)

Atualmente, os torcedores do clube são simpatizantes. Mas o intuito é inaugurar no próximo ano um estádio próprio, no centro de Camaragibe, para 15 a 20 mil torcedores. E assim atrair torcedores puro-sangue para apoiar a Fênix. 

– Um grande passo que o presidente vai dar no intuito de trazer mais torcedores é o estádio. Ele deve inaugurar em um ano, no centro de Camaragibe, com 12 a 15 mil pessoas. Isso pode ser um atrativo para a comunidade abraçar o Retrô e começar a ter esses simpatizantes. Camaragibe tem em torno de 300 mil habitantes e é um nicho onde o presidente que atacar e as pessoas possam abraçar o Retrô como o clube da cidade e, de fato, ter uma torcida que acompanhe o Retrô. Essa é a ideia – revelou Francisco Sales. 

Enquanto a nova casa do Retrô não é levantada, a equipe manda os jogos na Arena Pernambuco. E será lá o palco do primeiro jogo decisivo no Campeonato Pernambucano. A volta não tem data marcada, mas acontecerá na Ilha do Retiro, pois o Sport chega à final com campanha superior. 

Os dois finalistas chegaram longe de ter as melhores campanhas. O Retrô, inclusive, alcançou a decisão após conquistar a última vaga da primeira fase. Depois, o clube de Camaragibe deslanchou. Primeiro eliminando o Náutico, nos pênaltis. Depois, na semifinal, batendo o Maguary, dono da segunda melhor campanha na fase inicial. Foram duas vitórias por 2 a 1.

EtiquetasSport Fábio Lázaro21/03/2025 - 17:00 6 minutos de leitura WhatsApp Bluesky Threads Facebook Twitter Compartilhar via e-mailVisite Trivela para ler a matéria completa.
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